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sábado, 3 de abril de 2010

Inverno em Bariloche - Amanhece

O sol começa a aparecer no horizonte, raios invadem os quartos da fachada leste do hotel, Paulo acorda, seus braços doem, como se tivesse feito esforço físico durante a madrugada, não se lembrava de nada, seus pés estão sujos de poeira, como se tivesse andando descalço pelo hotel, mas não se lembra nem se quer de levantar da cama, ele fica assustado com isto, preocupado em aparecer com os pés sujos logo de manhã vai ate o banheiro do quarto e toma um banho. Adenílson é o primeiro a sair do quarto, vai até o corredor, e nota que as mesas da sala de jantar lá embaixo estavam formando um “A”, que diabos era aquilo? Ele acorda sua mulher, Manoela, ela da um grito quando vê aquilo, os outros hospedes saem do quarto e se deparam com a mesma cena, alguns surpresos, Paulo mais ainda, será que foi ele quem fez aquilo?
- Algum engraçadinho bateu na porta do meu quarto ontem de madrugada, eu corri e abri a porta, a tempo de ver a porta do seu quarto fechando – Diz Cleusa apontando para Paulo.
- A porta do meu quarto? Não é possível, eu dormi durante toda a noite, acordei na minha cama, hoje pela manhã, tenho a certeza de que não fui eu senhora – Se defende ele, porem pensando nos braços doloridos e nos pés sujos.
- Eu ainda vou descobrir quem foi – Retruca ela.
- Acalmem-se, talvez podemos pensar o porque de “A” – Paulo tenta intervir.
- Não deve ser nada, apenas um engraçadinho – Diz Adenílson

            Neste momento, João avista as mesas em “A”, e pergunta quem fez aquilo, os hospedes dizem que não sabem, então ele pede ajuda e todos arrumam as mesas, que o café da manhã está pronto, todos começam a comer, apesar da agitação ficam quietos, preferem não comentar sobre as batidas  na porta com João. Paulo nota que todos os funcionários do hotel estavam presentes, menos o cozinheiro Alex, provavelmente ele come depois em sua cozinha. Como sempre, a comida estava deliciosa. Depois de comerem Júlia informa que a neve já chegou a um metro e a nevasca continua, por isso é impossível sair do hotel, estão todos isolados lá. Este tipo de nevasca nunca aconteceu antes, a tempestade está ficando cada vez pior, o telefone já apresenta ruídos ele informa.

Inverno em Bariloche - Madrugada

     Já era de madrugada, o silêncio reinava o hotel, o único barulho era da nevasca caindo, agora com menos intensidade, eram cerca de três horas da manha, uma porta se abre, uma pessoa sai de se quarto, descalça, usando apenas roupa de baixo, olhos abertos ou fechados? Na escuridão do corredor não se era possível determinar. A figura desce as escadas lentamente, ao chegar à sala de jantar, começa a arrastar as mesas e as cadeiras, parece que quer formar algum desenho. Bruno acorda, escuta o barulho de moveis sendo arrastados no andar inferior, sente medo, toma coragem e vai até o corredor, chega à beirada da escada, e devido a pouca luminosidade da recepção nota que a figura de um homem estava empurrando as mesas e cadeiras, treme da cabeça aos pés, e pondera se seria seguro descer, pensou em gritar para a pessoa lá embaixo, mas não, não ousaria. Toma coragem para descer, está decidido, começa a descer as escadas lentamente, procurando não fazer barulho, seu olho esquerdo detecta um vulto flutuando, por um rápido momento apenas, e a coisa some, ele pensa que foi apenas imaginação, continua a descer a escada, mais três passos, para e começa a subir a escada novamente, volta para seu quarto, deita-se na cama e volta a dormir.

     A figura continua seu trabalho lá embaixo, termina de arrumar as mesas e começa a subir a escada novamente, ao chegar ao corredor dos quartos, da três batidas fortes na porta de três hospedes, Cleuza acorda assustada, bateram na porta de seu quarto, ela corre e abre a porta, porem a única coisa que consegue ver é a porta do quarto de Paulo se fechando. Ela acha melhor ficar quieta e voltar a dormir, tirar satisfações a esta hora da madrugada não seria uma boa coisa.

     Adenílson estava em uma clareira, um local muito bonito, uma cachoeira ao fundo, mata de pinheiros ao redor, ainda era dia, o sol estava a pino, a noite cai com velocidade surpreendente, algo rasga a lona da barraca, um grito, Adenílson acorda sobressaltado e com o coração acelerado, não passou de um pesadelo, volta a dormir.