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sábado, 20 de março de 2010

Eucaliptos - O Carro parou

Carlos estava voltando de uma festa com seu amigo Luiz, apesar de o carro ser de Carlos, Luiz quem dirigia. Já estava tarde, duas e meia da manhã, eles precisavam chegar a suas casa rápido, decidem pegar um atalho, o atalho não é nada alem do comum, poucas árvores ao redor da pista, já tinham passado ali várias vezes.

Entram no atalho e dirigem quase meia hora, quando o carro para, Carlos decide descer e dar uma olhada no motor, nada de estranho, estava tudo normal ele volta e diz que está tudo normal, tentam fazer  funcionar e nada, Carlos pega a lanterna no porta-luvas e desce para dar uma olhada melhor, checa tudo, era mecânico, óleo, gasolina, tudo normal, não sabiam por que não pegava.

Permanecem os dois dentro do carro tentando fazer funcionar e esquecem de olhar envolta, quando Luiz olha, solta um grito, não era possível, eucaliptos centenários haviam crescido ao entorno da estrada, uma mata densa e com corredores no meio das árvores, ficam apavorados e decidem se trancar dentro do carro.

Depois de algum tempo sem nada acontecer, as árvores continuavam lá, não havia modo de voltar com, eles agora estavam no meio de uma clareira em uma floresta que cresceu em instantes, árvores para todos os lados, Luiz resolve descer do carro, afinal não tinha acontecido nada, quando desce, percebe que uma leve neblina está se formando no chão, tem a altura de seus pés, mas ele ainda os vê, em poucos segundos a neblina fica densa e ele não vê mais os pés.

Carlos grita assustado de dentro do carro, e aponta para trás, quando Luiz olha leva um susto, uma forma espectral rasteja na neblina em sua direção, a neblina sobe e fica mais densa, a forma some na densa neblina, Luiz corre para dentro do carro, entra e tranca as portas.

Inverno em Bariloche - Chegada no Hotel

Era um fim de tarde comum de inverno, a neve caia levemente na frente do hotel, a família Casagrande lamentava que ainda não tivessem recebido nenhum hospede, o hotel completamente vazio era uma tragédia, tudo bem que eles já haviam se acostumado com poucos hospedes no inverno, mas nenhum, até agora, era de se estranhar. Uma estranha movimentação começa fora do hotel, eram carros chegando, vários carros, e todos ao mesmo tempo, fato inédito, a direção do hotel acha muito bom que tenham pelo menos estes turistas, já é melhor que nada, agora que chegaram tantos, porque não poderiam chegar mais?

Aos poucos todos os hospedes vão descendo dos seus carros, alguns vieram de taxi, retiram as malas, eram sete pessoas no total, Júlia pede que a filha acorde José para ajudar com as malas, os turistas se dirigem para a recepção, ao entrarem notam um ambiente antigo, aconchegante, moveis antigos, decoração estilo século XVI, o cheiro doce do alecrim invade suas narinas, recebem as chaves de seus quartos, suas malas são levadas, tudo em perfeita ordem, ou melhor, quase tudo, exceto pelo garotinho de aparência de uns oito anos de idade que Maria nota correndo embaixo da mesa de jantar, correndo, correndo, até que ele para e começa a choramingar, choraminga um pouco e some, fato estranho, um garoto sumir, ela prefere não comentar com os outros hospedes, teria ficado louca?

Os hospedes sobem, cada qual para seu quarto, as instruções do hotel são claras, se quiserem podem dar uma passeada pelos arredores do hotel, porém não é recomendado, já que a noite chega logo e com ela sua escuridão que poderia dificultar a volta para o hotel, todos resolvem ficar em seus quartos aguardando o jantar, segundo a direção o jantar que é preparado por Alex é muito bom. Maria resolve descer até a recepção e perguntar sobre o garotinho, é Júlia quem a atende.
- Vocês por acaso tem criança no hotel? – Perguntou Maria, com um ar tranquilo.
- Não, não temos, já tivemos sim, inclusive temos este que sumiu do hotel há alguns três anos, a mãe nunca mais achou a criança, todo ano ela volta e espalha cartazes de procura-se, como este – Aponta um cartas logo acima de sua cabeça. Maria se espanta, não era possível, a semelhança era tremenda, não haviam duvidas que eram as mesmas pessoas, mas como o garoto poderia não ter sido visto mais, e ao mesmo tempo, estar correndo embaixo da mesa de jantar do hotel? Como ele poderia manter a mesma aparência durante três anos? Definitivamente aquilo era estranho.
- Algum problema Maria? – Júlia pergunta percebendo o espanto da hospede.
- Não, nada com o que se preocupar, vou indo. – Ao falar isto vira as costas e sobe para seus aposentos.

Passadas quase Três horas da chegada dos turistas, o jantar estava pronto, todos os hospedes são convidados a descer, Maria prefere não descer e fica em seu quarto pensando sobre o ocorrido. Já nas mesas de jantar, a comida é servida, temos strogonoff de carne, bifes a milanesa, arroz branco e feijão preto, para beber os hospedes tinham a opção de suco de laranja ou de maracujá. Cada qual faz seu prato e se sentam para comer, um pouco de conversa, as pessoas procuram se conhecer mais umas as outras, o repórter tenta conversar com Paulo, porem este não quer conversa, não ali no hotel, enquanto jantam, uma nevasca começa a cair do lado de fora, o barulho da nevasca faz o barulho da conversa aumentar, depois de todos terem comido, a direção informa que não seria possível sair do hotel durante esta noite devido à nevasca.

Todos sobem para seus quartos e cansados da viagem dormem. Maria demora um pouco mais a dormir porque fica pensando nas possibilidades, os porquês, as formas, tudo sobre o misterioso garoto, até que ela conclui que não adiantaria muito pensar, e dorme.

Inverno em Bariloche - As Pessoas

Bruno Lima
Bruno leva uma vida normal no interior de São Paulo, técnico de informática, não chega a receber muito com seu trabalho, porem o suficiente para uma boa vida, bruno é um perfeccionista em seu trabalho, este fato o deixa muito estressado, para completar ainda brigou com sua mulher e filhas recentemente, foi quando decidiu que precisava tirar férias, a mulher recusou acompanhar Bruno para uma viagem à Bariloche, preferiu levar os filhos para visitar os parentes da Capital, então é sozinho que bruno embarca para Bariloche, com reserva feita no hotel Los Lagos, espera sossego e descanso indo até o hotel em época de baixa temporada, mal sabia o que iria passar.


Adenílson e Cleuza Vieira
Adenílson é o repórter dos famosos, sempre esta publicando em revistas e sites de fofocas, adora xeretar a vida de famosos, quanto mais informações pessoais souber de algum famoso, melhor. Freqüentemente se torna um incomodo na vida de muitos, devido a seu “status”, ele tenta inserir sua esposa, Cleuza, de toda e qualquer forma na alta sociedade de São Paulo, porém até agora sem sucesso pleno, o casal vende uma riqueza que não possui, Adenílson resolve ir para Bariloche na baixa temporada para economizar despesas, e quem sabe encontrar algum famoso para ser entrevistado no hotel.

Raul e Manoela Silva
Raul é o filho único de um dos maiores bicheiros do Rio de Janeiro, vive em uma situação confortável de mais para procurar emprego, casado com uma belíssima mulher do Rio, Manoela, que esta começando sua carreira de modelo, o pai, satisfeito com o filho vagabundo que tem lhe comprou um diploma de direito, agora só falta falar com as pessoas certas e colocar o filho em um cargo público. Já Manoela, uma belíssima mulher, acredita que se casou com um dos caras mais feios, porem mais ricos, do Rio de Janeiro por amor, mas ela acredita... E é isso que importa.
Decidiram passar a Lua de Mel no hotel em Bariloche, em baixa temporada talvez tenham maior sossego, isto, é o que definitivamente não vão ter.


Paulo Guaria
Paulo é um costureiro de renome nacional, já fez costuras para várias grifes, com sua opção sexual enrustida e suas opiniões diretas e contundentes tornou-se uma figura polêmica. Ficou afastado da mídia, pois conseguia arrumar briga em todos os programas em que comparecia, o tema e estilo do programa poderia ser qualquer um, ele conseguia arrumar briga. Decidiu então repousar neste hotel afastado e fora de temporada para sumir de vez da mídia, e quando voltar, talvez suas opiniões sejam novidades outra vez.


Maria Souza
Secretária de uma grande multinacional em São Paulo capital, apesar de bem sucedida na profissão de secretária, é uma mulher solitária e que deseja uma companhia, no ano passado, passando as férias no mesmo hotel para o qual esta indo, conheceu um jovem rapaz paraguaio, começou um romance com ele, mas depois de um pequeno desentendimento, o rapaz saiu do quarto e nunca mais foi visto. Morrendo de saudades do jovem, mesmo contra a vontade de amigas e parentes, ela resolve voltar para o hotel sozinha, na esperança de rever o amor.

Inverno em Bariloche - O Hotel

          Fim de tarde de inverno na Argentina, um hotel com o nome de Los Lagos, um hotel chique, de cinco estrelas, fica a 10 km de Bariloche, cercado de florestas e com vista para lagos. Por não ficar localizado perto de montanhas onde os turistas possam esquiar, sua alta temporada é o verão, onde podem nadar e pescar no lago, fazer passeios pela floresta envolta, curtir a paisagem e a natureza. No inverno poucas pessoas costumam ficar no hotel, as que vão, vão para curtir uma piscina aquecida, sauna, o belo jantar americano, uma sala de jantar aquecida por lareiras, lareiras também nos quartos.

          Todos os quartos ficam no segundo andar do hotel, no terceiro ficam a lavanderia, o deposito e quartos dos funcionários, as janelas são todas construídas com vidro blindado para resistir as fortes ventanias, o hotel é construído basicamente de pedras e vidros blindados. No primeiro andar fica a sala de jantar, a cozinha o escritório e a recepção, no subsolo fica a garagem.

          Este hotel fica em um vale que não recebe muito bem sinais de rádio e televisão, alias estes aparelhos não são presentes no hotel, ele fica comunicado com o mundo externo apenas por uma linha de telefone fixo, que costuma falhar ao enfrentar fortes nevascas. Telefones celulares não conseguem sinal. Em caso de falta de energia o hotel conta com um gerador que permite as luzes funcionarem por certo período de tempo, o gerador fica nos fundos do hotel, na parte externa.

          O hotel conta com poucos funcionários no inverno, a família que é dona do hotel trabalha nele, os poucos funcionários que os ajudam vivem no próprio hotel, a família é constituída por João e Júlia Casagrande, que atendem na recepção e também administram o hotel, a filha deles, Juliana Casagrande, que trabalha como camareira no hotel, e sente vergonha de sua profissão, devido a ser um local freqüentado por pessoas influentes e José Casagrande, o filho mais velho, que atende no hotel no turno da noite, durante o dia algumas vezes é acordado para ajudar com bagagens.